As paulistanas Clara*, de 30 anos, e Marcela, de 27, têm um segredo em comum. Ambas fizeram um aborto. Mas o que pareceu um alívio para uma se transformou em martírio para a outra
“Tudo começou quando decidi morar algum tempo fora do país, no ano de 2000. Eu tinha 22 anos e queria descobrir como seria viver em um lugar diferente. Então, fiz as malas e parti para o Canadá. Fiquei hospedada na casa de um casal de amigos dos meus pais com um filho da minha idade, o Bruno. Nós nos conhecemos na adolescência, mas, apesar de brasileiro, ele só aparecia nas férias. Minha intenção era aproveitar a hospitalidade da família apenas pelo tempo necessário para encontrar um apartamento. Só não contava que me apaixonaria logo de cara.
Como eu estava sozinha numa terra desconhecida, Bruno e eu saíamos juntos direto para nos divertir. Quando dei por mim, já estávamos transando. Até aí nada de mais, a não ser o fato de estar comprometida havia sete anos com Gustavo. Com ele, perdi minha virgindade e descobri o sexo. O problema é que nosso relacionamento chegara àquele ponto em que se fica junto por comodismo. Nós brigávamos muito por causa de ciúme. Extrovertido, ele costumava ficar rodeado de mulheres. Por outro lado, também bancava o possessivo comigo. Por ser minha única referência, eu achava que a desconfiança fazia parte de qualquer namoro. Assim, quando conheci melhor o Bruno, calmo e seguro, não foi difícil me sentir atraída. Apesar disso, nunca levei esse romance em terras canadenses realmente a sério. Ao contrário do Bruno, que até fazia planos de voltar ao Brasil por minha causa, eu preferia manter os pés no chão.
Quando o fim do ano chegou, decidi encerrar a temporada longe de casa. A gente se despediu sabendo que seria impossível manter aquela relação. Um mês depois do meu regresso, no entanto, ele veio com a família passar as férias em São Paulo. Ficamos juntos uma vez só e transamos. Detalhe: sem camisinha. Logo depois, ele partiu e comecei a estranhar meu corpo. Sentia fortes dores no útero, os seios bastante sensíveis. E minha menstruação, que sempre foi regulada, atrasou. Na mesma hora, pensei: ‘Estou grávida’. Senti tudo à minha volta girar. A sensação de enjôo piorou quando me dei conta de que não sabia quem era o pai, pois na mesma semana tinha transado com meu namorado. Eu não tomava anticoncepcionais nem usava camisinha. Conosco, era aquele esquema de tirar na hora H.
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