NOVA investiga a inveja

Cobiça, olho gordo, mau-olhado... Não importa o nome. A verdade é que essa força do mal assusta muitas de nós. E há quem acredite que ela tem o poder de minar conquistas, esgotar a energia, atrapalhar planos. Mas será que a inveja que os outros sentem de você é real ou trata-se uma desculpa para a sua própria insegurança? NOVA coloca o dedo na ferida e passa essa história a limpo.

Texto Monique dos Anjos / Foto Fabio Heizenreder
NOVA investiga a inveja

Sempre fui extrovertida, brincalhona e de bem com a vida”, conta a fotógrafa Adriana*, de 27 anos. “Por isso costumo provocar olhares de desaprovação de uns e, por que não dizer, inveja de outros. Mas só senti o estrago que o mau-olhado poderia fazer na minha vida quando engatei um namoro com um colega de trabalho. Assim que assumimos a relação, comecei a colecionar problemas. Ele era o bonitão do andar, o que fez muita gente querer estar no meu lugar. Os comentários eram tantos que meu rendimento foi afetado. Chegava ao trabalho cansada e produzia mal. Ao descobrir nosso envolvimento, minha chefe, que já tinha fama de mal-amada, passou a implicar com tudo o que eu fazia. Nossas diferenças tornaram-se tamanhas que tive de mudar de setor. O cara ainda tinha uma ex neurótica, que, por um misto de inveja e ciúme, aprontou as maiores cenas. Uma delas foi entrar no apartamento dele e jogar minhas coisas na rua. Nessa mesma época, ainda fui obrigada a lidar com problemas de saúde, quase perdi meu emprego, atropelei um motoboy no meio da rua... Enfim, tudo o que podia dar errado deu.”

Durante um ano e meio, Adriana acredita ter sido vítima de cobiça, olho gordo, mau-olhado e outras quizilas. Tudo por causa de um sentimento bem pequeno, mas que, reza a lenda, tem o poder de azucrinar a vida de suas vítimas: a inveja. Para Carmem Seib, autora do livro de bolso Como Lidar com a Inveja (Paulinas), o invejoso não precisa necessariamente querer o bem para ele, mas também não gosta que o outro o tenha. “Mais do que cobiçar, ele não aceita a superioridade alheia naquele aspecto”, afirma. As famosas seca-pimenteiras estão em toda parte. Infiltradas entre amigas, sentadas na mesa ao lado, cuidando mais da nossa vida do que da própria. “A inveja é universal, é um sentimento básico. Só que uns sentem mais, outros menos”, define o psiquiatra José Ângelo Gaiarsa, autor de dezenas de livros, entre eles Tratado Geral sobre a Fofoca (Summus). Resumo da ópera: parece que é só conquistarmos algo bacana para aparecer alguém e agourar. Será? Os outros têm mesmo o poder de minar nossas conquistas ou estamos colocando a responsabilidade por nossos fracassos em mãos alheias? Vivemos cercadas de cobras ou andamos por aí cutucando a onça com vara curta enquanto exibimos nossas vitórias? Para você sair dessa encruzilhada, NOVA decidiu investigar a inveja a fundo e descobrir até que ponto a dita-cuja pode influenciar sua vida. Depois desta reportagem, não vai haver mandinga que a derrube.


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